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Entrevista ao Coordenador técnico do Real Mafra Hélder Vieira

 Nome: Hélder Vieira 

Naturalidade: Viana do Castelo
Estado civil: casado;
Idade: 62 anos;
Profissão: reformado pelo banco Crédito Predial Português (fusão com Santander Totta);

 

 

RM- Conte-nos um pouco da sua história no campo desportivo e como nasceu o gosto pelo futebol?

HV- Quando era miúdo, isto ainda nos anos 60, vivia com os meus pais em Beja. Nessa altura, eu já tinha uma certa paixão pelo futebol, mas que era contrário aos princípios do meu pai, que era professor, e via no futebol um desporto que me poderia afastar dos objetivos escolares e por isso só jogava às escondidas, porém, dava cabo de ténis, sapatos e botas. Pelo facto de gostar muito de jogar à bola e não pegar muito nos livros, o meu pai enviou-me para o Seminário de Beja com a finalidade de eu esquecer o futebol. Estive lá 2 anos, mas como não tinha vocação saí e ingressei no liceu de Beja. Nessa altura havia, em Beja, rapazes com muito talento, casos do Cano Brito, Fernando Mamede, Vítor Madeira e outros. Aos sábados eu e os meus amigos juntávamo-nos e Jogávamos no largo da feira de Beja, cerca de 2 horas.
Aos 14 anos, a minha família veio para Lisboa e comecei a ir ver jogos das camadas jovens nos Olivais. Certo domingo fui ver o Sport Lisboa Olivais contra o Sporting em Juvenis e fiquei admirado, quando vi a jogar no sporting o meu amigo Cano Brito. Findo o jogo, este convidou-me para ir treinar a Alvalade (juvenis). Nessa altura eu morava nos Olivais-Sul, e como o meu pai não me dava dinheiro para os transportes, ia a pé e regressava da mesma maneira no trajeto Olivais- Alvalade-Olivais. Ainda andei a treinar no Sporting (juvenis) durante uma época sem o meu pai saber, porque ele só chegava a casa à noitinha. Mas o meu sonho acabou, quando nesse mesmo ano, eu andava no 4º ano (equivalente ao 8º ano de hoje), no 2º período eu já estava chumbado por faltas. Em consequência disso, e tendo sido até ali, aluno do Quadro de Honra, o meu pai descobriu a razão da minha cabulice e a partir desse dia proibiu-me, determinantemente, de tocar em qualquer bola. Mesmo assim, às escondidas lá ia jogando.
Em 1972, fui para a tropa e mais tarde mobilizado para Angola. Quando regressei em 1975, joguei nos Olivais-Sul por brincadeira com familiares (cunhados) e onde o meu sogro também treinava. Mais tarde fui para a zona de Torres Vedras, Cabeça Gorda (Carregueira) a convite do José Afonso (ex- G.R. da Académica de Coimbra). E, acabou aqui, a minha atividade a nível de clubes.
Em 1976/77, a Direção Geral dos Desportos tendo como coordenador o Prof . Bernabé e seus colaboradores, Cano Brito e Brassard (ex-jogadores da Académica de Coimbra), criaram um projeto com o objetivo de descobrir talentos, o futebol de bairro. E, assim nasceu o núcleo dos Olivais-Sul, tendo a meu cargo crianças (cerca de 20 miúdos), dos 5 aos 9 anos. Jogávamos todas as semanas no campo de futebol no quartel dos Ralis. E, deste trabalho nasceram algumas promessas para o futebol, casos do Rui Gonçalves (Espinho), Muller (Oriental), Paulo Jaime (Imortal de Albufeira), e Custódio (júnior Sporting C.P.) e outros. Mais tarde (1978), comecei a treinar na 1ºdivisão distrital de Lisboa (futebol de 5), um clube universitário de Lisboa (Atlético). Seguiu-se o C.A.O. (Clube Atlético dos Olivais), uma das equipas principais a par do Sporting Clube de Portugal e Atlético clube de Portugal.
Em 1985 , eu e alguns amigos criamos o futebol de 5, em Vale de Figueira (Sacavém) e disputamos o campeonato da 2ª divisão distrital. Daí, saiu um jogador (Vinha), que acabaria por ter sucesso no futebol de 11 , tendo passado pelo Atlético, Salgueiros e mais tarde F.C. Porto.
Em 1990, tirei o curso de treinador do nível 1 e fui treinador dos iniciados da Sanjoanense (fut 11) tendo subido nesse mesmo ano à 1ª divisão, apenas com uma derrota.
De 2008 até 2011, trabalhei no C.D. Mafra nas equipas de formação (petizes e benjamins) juntamente com o Chiquinho Carlos e o Prof. Ricardo Carmezim.
Desde 3-11-2011, com um grupo de amigos, também entusiastas pelo futebol, pensamos em criar uma escola de futebol na área da formação, para todas as crianças, que gostassem de futebol, independentemente das suas competências físicas e técnicas.

RM- Quais os seus planos como Coordenador Técnico para o Real Mafra?

HV- O mais importante para o grupo técnico é que todas as crianças independentemente das suas capacidades joguem à bola porque gostam, dando-se oportunidade a todos sem a pressão dos resultados. É um projeto que começou do zero e inicialmente nem bola tínhamos. Começamos com 4 atletas em Setembro de 2012 e chegamos ao final da época com cerca de 40 atletas com idades entre os 3 e os 13 anos.
Sabendo-se que a competição, nesta modalidade, é uma componente muito atrativa, quer para os jovens, quer quiçá, para os pais, que veem nos filhos algum potencial, não descuramos mais tarde termos uma equipa nas camadas mais jovens (talvez benjamins/ 8 anos) em competição. Mas, irá ser sempre nosso apanágio competir para aprender e, onde o resultado será secundário.

RM- Qual a metodologia adotada pelo Real Mafra?

HV- O RM adotou um modelo de ensino de futebol baseado nos jogos condicionados, trata-se de um método onde se pretende aprender a jogar através do jogo, assente numa procura dirigida, tendo em vista a formação de jogadores inteligentes, capazes de resolver de forma adequada as diferentes situações que o jogo de futebol lhes coloca.
Tendo muita disponibilidade, porque estou reformado, procuro estar atualizado e assimilar tudo que vejo, lendo, vendo vídeos e falando com outros treinadores, onde debatemos novas situações de jogo e treino.

Um obrigado e Reais Saudações

Próxima entrevista:
David Lamim

 

 

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